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Delegado diz que Damião Soares dos Santos tinha mania de perseguição; polícia encontrou cartas e galões com álcool na casa do vigia. Ele colocou fogo em creche - quatro crianças morreram.

 Perícia indica que ele trancou portas antes de atear fogo

CONTEÚDO:G1/Globo


Vigia sofria mania de perseguição e premeditou crime, diz polícia (Foto: Reprodução/Facebool)

O vigia noturno que ateou fogo em uma creche em Janaúba disse a familiares que "essa semana iria morrer", afirmou nesta quinta-feira (5) o delegado Bruno Fernandes Barbosa. Ainda de acordo com o delegado, uma perícia constatou que Damião Soares dos Santos, de 50 anos, trancou as portas da creche antes de incendiar o local. Ele jogou álcool nas crianças e nele mesmo e, em seguida, colocou fogo. Quatro crianças de 4 anos morreram.

O delegado disse ao G1, após entrevistar familiares do vigia, que desde 2014 ele já apresentava "sinais de loucura". "Ele alegava que a mãe dele estava envenenando a água, e que isso estava trazendo problemas", disse Bruno.

Segundo o delegado, uma sobrinha de Damião disse que o tio falou esta semana que iria morrer. Após atear fogo na creche, o vigia chegou a ser internado, mas morreu no hospital algumas horas depois.

Ainda segundo informações dadas pela família à polícia, Damião estava sem trabalhar há oito dias e estava desaparecido - por isso, a diretora da creche pediu que ele levasse o atestado médico ao trabalho.

Morre vigia de creche que ateou fogo e matou quatro crianças em MG

"Hoje de manhã a diretora pediu que ele levasse o atestado, e ele disse que não precisava se preocupar com ele, porque ele era um sujeito sozinho. Porém, ele chegou na creche, de mochila, nem tirou o capacete, fechou as portas e já ateou fogo em uma funcionária que estava na cozinha", conta o delegado.

A perícia indica que ele fechou três salas da creche, onde havia entre 55 e 60 pessoas, segundo o delegado Bruno. O homem teria ainda segurado as crianças, impedindo que elas saíssem. Uma professora tentou conter a ação de Damião e chegou a lutar com ele; ela está internada em estado grave em um hospital.

"Tenho plena convicção de que o crime foi premeditado, ele escolheu a data de dia 5 de outubro porque o pai dele morreu no dia 5 de outubro, há três anos", disse o delegado.


Polícia apreendeu várias cartas deixadas pelo autor (Foto: Juliana Peixoto/ G1)

Na casa de Damião, a polícia encontrou cartas escritas por ele, nas quais dizia ter predileção e afeto por crianças. Também foram achados galões de combustível. "Encontramos seis ou sete galões de cinco litros com álcool", disse o delegado.

"Apesar de não morar com família, e ter escolhido viver isoladamente, Damião se reaproximou da mãe nos últimos dias, dormiu com ela, e disse à uma sobrinha que iria dar um presente para a família, que iria morrer", contou Barbosa.


Na casa de Damião foram apreendidos diversos galões com álcool (Foto: Juliana Peixoto/ G1)

Vítimas

Segundo o Instituto Médico-Legal da cidade, morreram no ataque:

Ana Clara Ferreira Silva, 4 anosLuiz Davi Carlos Rodrigues, 4 anosJuan Pablo Cruz dos Santos, 4 anosJuan Miguel Soares Silva, 4 anos

Segundo balanço do Corpo de Bombeiros divulgado às 19h43 desta quinta, ao menos 26 pessoas permaneciam internadas em hospitais de Janaúba, Montes Claros e Belo Horizonte, sendo três adultos e 23 crianças; todos os adultos estão no Hospital Regional de Janaúba.

Ainda segundo os bombeiros, ao menos 10 crianças estão internadas no Hospital Santa Casa de Montes Claros. Elas apresentaram queimaduras pelo corpo e vias aéreas; uma das vítimas, de 5 anos, teve 45% do corpo queimado. Outros seis alunos da creche devem chegar a Belo Horizonte ainda nesta quinta.

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