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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Carnaval do Rio pode não ter ensaios técnicos em 2018

RIO DE JANEIRO

Carnaval do Rio pode não ter ensaios técnicos em 2018

Informação foi repassada após reunião da Liesa com o prefeito Marcelo Crivella. Riotur diz que vai garantir mais R$ 6,5 milhões com patrocinadores.

FONTE:G1/GLOBO

Presidente da Liesa e das escolas de samba do Grupo Especial se reuniram com Marcelo Crivella na Prefeitura do Rio. (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)

Os ensaios técnicos da escolas de samba no Sambódromo, no Centro do Rio, correm o risco de não acontecer neste carnaval. É que com o corte da subvenção da prefeitura as escolas e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) e as 13 agremiações do Grupo Especial talvez não tenham como arcar com as despesas de uso da Marquês de Sapucaí, estimadas em R$ 4 milhões. Os ensaios técnicos, uma prévia dos desfiles, com entrada franca, eram realizados nos fins de semana, um mês antes, do desfile oficial.

Na manhã desta segunda-feira (10), na segunda reunião entre o prefeito Marcelo Crivella, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira e os presidentes das escolas do Grupo Especial, ficou acertado que a prefeitura vai repassar às escolas R$1 milhão em parcelas entre julho e novembro e que a Riotur repassaria, através de contratos com patrocinadores privados, mais R$ 500 mil a cada uma das 13 escolas, sem prazo ainda definido. A reunião a portas fechadas ocorreu na sede da prefeitura, na Cidade Nova, no Centro do Rio.

Segundo Castanheira, o ensaio técnico, que não está dentro do contrato com a prefeitura e está em suspenso inicialmente. Com o corte na subvenção municipal, as escolas também ainda terão analisar se terão como participar dos eventos do réveillon, este sim, previsto em contrato.

"Vamos analisar ainda, porque é um custo muito grande para a Liesa é para as escolas. Já a participação das escolas no réveillon, que está em contrato, vai se depender de um esforço de cada escola. Entendemos a crise que a prefeitura está passando e o prefeito teve sensibilidade para entender a dificuldade das escolas. A Riotur garantiu que já está em negociação com patrocinadores para conseguir os R$ 6,5 milhões, de complemento", destacou Castanheira, lembrando que a prefeitura havia feito cortes de 25% nos demais contratos firmados e só o carnaval teve um corte de 50%.

Por conta do corte de verba, Castanheira admitiu ter de rever o regulamento para os desfiles de 2018. Ou seja, a possibilidade de reduzir o número de alegorias. As escolas também teriam que se readequar, com a redução do contingente de componentes.

"Chegamos a uma equação com a prefeitura. Agora, as escolas terão de fazer um exercício forte para reverter o atraso que esse impasse causou. Elas vão ter de se reestruturar no limite do razoável. Não vai ser fácil, faz falta esses R$ 500 mil. Mas as escolas vão fazer um esforço e vamos fazer um belo espetáculo", disse o presidente da Liesa.

Presidentes das escolas como Ney Filardi, da União da Ilha do Governador, não saíram exatamente satisfeitos com o resultado da reunião. Segundo ele, as soluções alternativas não vão compensar as perdas do carnaval.

"Tivemos a perda do patrocínio da Petrobras, depois perdemos a ajuda do governo do estado e agora a prefeitura só vai pagar R$ 1 milhão e parcelado. Os R$ 500 mil da Riotur não estão certos. Onde vai parar a qualidade do carnaval? Material e mão de obra estão mais caros", destacou Filardi.

O presidente da Estação Primeira de Mangueira, Chiquinho da Mangueira, lembrou que a esta época do ano, as escolas já firmaram compromisso com mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, pessoal do barracão e que, quanto mais tarde deixa para fazer a compra do material, mais alto fica o custo do carnaval.

"Quanto mais se demora, mas caro fica o carnaval, mais caro fica o material. O ideal seria que a gente tivesse uma carta de crédito da Liesa com o repasse da prefeitura, para que pudéssemos ir ao mercado buscar os materiais que precisamos. Mas infelizmente isso não aconteceu. A Mangueira vem de um resgate de nove anos de dívidas, de 149 ações trabalhistas. Conseguimos pagar R$ 9 milhões dos R$ 14 que a escola devia. Certamente que com essa redução da verba, vamos ter de cortar uma alegoria e componentes. E não vai ter ensaio técnico. Cada ensaio custa para as escolas de R$ 150 mil a R$ 200 mil. Não temos como arcar com isso quando há corte de verbas. E também vai ser difícil a Mangueira participar do réveillon, que custa uns R$ 80 mil. Temos de buscar uma maneira de economizar", disse Chiquinho da Mangueira.

Uma nova reunião entre o prefeito, a Liesa e as escolas de samba foi marcada para a próxima segunda-feira (17), quando será assinado o contrato para o repasse da verba.

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